terça-feira, 20 de março de 2012

Intenção de Ruptura


  1. OPOSIÇÃO A AUTOCRACIA BURGUESA


“Nas suas expressões diferenciadas, ela confronta-se com a autocracia burguesa: colidia com a ordem autocrática, no plano teórico-cultural (os referenciais de que se socorria negavam as legitimações da autocracia), no plano profissional (os objetivos que se propunham chocavam-se com o perfil do assistente social requisitado pela” modernização conservadora”) e no plano político (suas concepções de participação social e cidadania, bem como suas projeções societárias, batiam contra a institucionalidade da ditadura...”  ( NETTO, 2007, p.248)

            Nas mediações que os profissionais estavam fazendo com o capital e os trabalhadores os Assistentes Sociais, nas respostas das classes exploradas, concluíram que o sistema capitalista era desigual, pois não se interessavam em resolver as dificuldades que os trabalhadores enfrentavam no processo de produção que visava somente à exploração do trabalhador para obter mais vantagem do tempo gasto em troca de mais produção e não pago. Sendo assim questionar a ordem do sistema autocrático não era possível diante das reflexões, como o profissional poderia apontar erros da instituição que impunha um sistema autoritário?
             Proteção dos direitos dos trabalhadores era um dos objetivos profissionais que chocavam-se com o perfil do agente social exigido pelo sistema de manutenção da ordem vigente.  
  1. VINCULAÇÃO ESTREITA COM A UNIVERSIDADE


“(...) Entendamo-nos: a universidade enquadrada e amordaçada (também já vimos) nunca foi um território livre; no entanto, pelas próprias peculiaridades do espaço acadêmico, este se apresentava como menos adverso que os outros para apostas de rompimento; era comparado aos demais, uma espécie de ponto fulcral na linha de menor resistência...” (NETTO, 2007, p.250)


            Mesmo a Universidade sendo controlada pelo sistema havia uma mínima liberdade de convênios com a faculdade para que os docentes investissem em pesquisa e extensão, permitindo que fizessem pesquisas nos campos de estágios em busca da realidade vivida pelos profissionais em comunidades, como o método de Belo Horizonte difundido pela Universidade Católica de Minas Gerais. Foi possível iniciar estudos para rompimento com o Serviço Social Tradicional a intenção de ruptura.



  1. BASES SOCIOPOLÍTICAS: DEMOCRATIZAÇÃO, MOVIMENTOS DAS CLASSES EXPLORADAS   


“(...) a crise da autocracia burguesa se evindencia, com a reinserção da classe operária na cena política brasileira desatando uma nova dinâmica na resistência democrática, que a perspctiva da intenção de ruptura pode transcender a fronteira das discussões em pequenos círculos acadêmicos e polarizar atenções de segmentos profissionais ponderáveis...” (NETTO, 2007, p.248)
           

            A união dos trabalhadores enquanto classe em busca de direitos através dos movimentos sociais serviu de bases sociopolíticas para busca de um novo sistema democrático e na intenção de ruptura do Serviço Social que começaram a reunirem-se em palestras, fóruns, seminários para uma rodada de discussões e questionamentos para um possível novo referencial teórico metodológico do Serviço Social.    

  1. MÉTODO DE BELO HORIZONTE BH
           
“Uma alternativa global ao tradicionalismo.” (p.276)
     

            Foi um projeto da Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais, uma crítica ao Serviço Social tradicional.  


“(...) o “método” que ali se elaborou foi além da crítica ideológica, da denúncia epistemológica e metodológica e da recusa das práticas próprias do tradicionalismo; envolvendo todos estes passos, ele coroou a sua ultrapassagem no desenho de um inteiro projeto profissional, abrangente, oferecendo uma paradigmática dedicada a dar conta de suportes acadêmicos para a formação dos quadros técnicos e para a intervenção do Serviço Social.” (NETTO, 2007, p.276-277)



            Esse projeto foi além da denúncia do Serviço Social tradicional que tinha práticas que não condiziam com a realidade vigente, passou a ultilizar o método marxista, além disso, construiu as bases para o novo projeto ético-político do Serviço Social o novo referencial teórico metodológico do Serviço Social tradicional.

 
REFERÊNCIAS


NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social : uma análise do serviço social no Brasil pós-64/ José Paulo Netto- 11. Ed. – São Paulo: Cortez, 2007.




























Um comentário: